A década de quarenta é marcada pela decadência
de alguns gêneros nacionais, especialmente o choro. Com o fim da Segunda
Guerra e o início da política da boa vizinhança com os Estados Unidos,
vários ritmos estrangeiros invadem o mercado brasileiro. Em contrapartida,
Ari Barroso e Carmem Miranda conquistam mais espaço no exterior.
As rádios começam a manipular
os sucessos, ignorando a preferência do público. A música transforma-se
em um produto comercial. Surgem sociedades cobradoras dos direitos autorais
e a ditadura das gravadoras. O povo, a partir daí, faz sua música como,
onde e quando lhe permitem.
O samba sofre várias influências
que desencadearia na década seguinte no surgimento da bossa-nova. O
samba-canção, também chamado na época de “samba de meio de ano” chegaria
ao ápice. “Copacabana” de Antônio Almeida e Braguinha é um símbolo desta
época na interpretação de Dick Farney, cantor visivelmente influenciado
por Frank Sinatra.
“Copacabana,
o mar, eterno cantor/
ao te beijar ficou perdido de amor”.
O mesmo Dick
Farney compõe com Dorival Caymi em 1947 “Marina”.
“Marina,
morena Marina, você se pintou/
Marina, você faça tudo, mas faça o favor/
Não pinte este rosto que eu gosto que eu gosto e é só seu/
Marina você já é bonita com o que Deus lhe deu”.
A letra já mostra
a mudança de comportamento das mulheres que se tornaria maior na década
de sessenta. Outra música desta época, expressaria isso com ainda mais
clareza: “Ai, que saudade da Amélia” de Mário Lago e Ataulfo Alves:
“Amélia
não tinha a menor vaidade,
Amélia que era mulher de verdade”.
Outros temas como a Segunda
Guerra Mundial e a derrubada da Praça Onze não são esquecidos nas marchinhas
e sambas da época.
É um período de entressafra
e os melhores compositores e interpretes são ainda aqueles da década
de trinta. Porém, do nordeste surgiria no final da década um cantor
que quebraria a falta de novidades na música da época, desafiando o
domínio estrangeiro. Luiz Gonzaga, o rei do baião, conquistaria o Brasil
com sua voz áspera, sua sanfona e seu “ritmo de bêbado”. Em 1947, em
parceria com Humberto Teixeira, escreveria “Asa Branca”, um de nossos
maiores clássicos, que impressionaria até mesmo os Beatles. Era a denúncia
na capital do país do sofrimento do povo nordestino.
“Quando
oiei a terra ardendo/quá fogêra de São João/
eu perguntei a Deus do céu, ai/ pru que tamanha judiação”.
Júlio
Saldanha Teixeira
Regente da Orquestra de Violões Anita Salles
Membro da Academia de Letras de Pará de Minas MG