Uma década triste para a humanidade.
O mundo vivia a sua Primeira Grande Guerra que mudaria os rumos da história.
Mas enquanto
as bombas explodiam, no Brasil surgiam as primeiras escolas de samba.
Falávamos nos artigos anteriores dos ranchos carnavalescos, das
brincadeiras de mau gosto dos entrudos e dos cordões fantasiados.
Tudo isso, obviamente foi um prelúdio para o surgimento destas
escolas. A primeira delas foi a “Deixa falar” no Largo do
Estácio. Nesta mesma época começa a surgir também
o samba-do-morro, juntamente com as primeiras favelas. Também
em São Paulo começam a surgir as primeiras manifestações
populares voltadas para o samba.
Foi um tempo de grande valorização da música instrumental.
Talvez pela invenção das vitrolas, dos gramofones, do
cinema mudo, tudo isso tenha incentivado a música orquestral.
A construção dos dois maiores teatros do Brasil, os municipais
do Rio e de São Paulo também favoreceram enormemente para
a montagem de espetáculos.
Não podemos deixar de citar também neste período
as primeiras gafieiras e as jazz-bands. Assim, entre os maiores compositores
populares desta época destacam-se principalmente os músicos
e raros são os letristas. Muitas das músicas cantadas
eram letras que faziam parte do folclore popular:
"O
meu boi morreu, que será de mim
manda buscar outro, Maninha, lá no Piauí..."
Como havia um grande número de músicas instrumentais,
o processo mais comum de composição de letras era aproveita
a música já pronta. Assim foi feito com uma das letras
mais populares da época. “Flor do mal” foi escrita
em cima de uma música já conhecida “Saudade eterna”.
O letrista, Domingos Correa escreveu esta letra em uma casa de chope
em um momento de desespero e desilusão amorosa, pondo fim a sua
vida logo depois:
"Oh!
Eu me recordo ainda / desse fatal dia /
em que tu me disseste, Arminda, / indiferente e fria /
eis do meu romance o fim...".
Os nomes de maior destaque neste período foram o poeta Catulo
da Paixão, autor dos veros de “Luar do sertão”
além dos sambistas Sinhô e Donga, protagonistas da polêmica
autoria de “Pelo telefone”. Destes, falaremos nos próximos
artigos.
Júlio
Saldanha Teixeira
Regente da Orquestra de Violões Anita Salles
Membro da Academia de Letras de Pará de Minas MG