O
período ainda é de predomínio da música
instrumental. Com o surgimento dos primeiros centros urbanos, surge
a música dos barbeiros, uma espécie de orquestra ambulante,
as bandas de coreto e as bandas militares. Também a música
sacra vive um grande momento.
Na música
popular, às vezes com letra, outras não, a modinha e o
lundu são as duas principais formas de se fazer música.
Infelizmente, poucas chegaram aos nossos dias.
O
nome de maior destaque é Domingos Caldas, poeta que teria chegado
a levar suas modinhas na década de 1770, já com características
brasileiras para Lisboa, com grande sucesso. Suas letras eram ainda
fortemente impregnadas pelo sentimentalismo lusitano:
"Coração,
que tens com Lilia?
Desde que
seus olhos vi,
Pulas, e bates
no peito,
Tape, tape,
tipe, ti:
Coração,
não gostes dela,
Que ela não
gosta de ti."
Domingos
Caldas compunha letra e música. Porém, o mais comum neste
período, era a prática de musicalização
de poemas. Assim, poetas consagrados como o inconfidente Tomáz
Antônio Gonzaga teve seus famosos versos musicados pelo renomado
músico Marcos Portugal e cantados nas ladeiras de Minas. Há
uma bela gravação contemporânea do cantor mineiro
Tadeu Franco de um trecho de Marília de Dirceu de Tomáz
Gonzaga que nos dá uma idéia da musicalidade dos versos
cantados neste período:
"Marília,
teus olhos são réus e culpados
que sofra
e que beije os ferros pesados do injusto senhor.
Mal vi o teu
rosto o sangue gelou-se
A língua
prendeu-se, tremido doce das faces da dor..."
Esta
prática teria continuidade no século seguinte. Fagundes
Varela, Arthur Azevedo, Gonçalves de Magalhães, Joaquim
Manuel de Macedo, Castro Alves, Cassimiro de Abreu seriam alguns dos
poetas famosos que teriam seus versos musicados. "Gondoleiro do
amor", publicada em 1866, até hoje é cantada nas
serestas mineiras:
"Teus
olhos são negros, negros como as noites sem luar
são
ardentes, são profundos como o negrume do mar..."

<Ouvir...>
Aconteceria
também o processo oposto. A versificação de melodias.
É o caso do Padre José Maurício Nunes, músico
de maior reputação no século XVIII por sua obra
sacra que teria uma modinha musicada por seu filho, Dr. José
Maurício Nunes. “Beijo a mão que me condena”
publicada no início do século XIX.
"Beijo
a mão que me condena
a ser sempre
desgraçado
obedeço
ao meu destino
respeito o
poder do fado."
Júlio
Saldanha
Regente
da Orquestra de Violões Anita Salles
Membro da Academia de Letras de Pará de Minas MG